Importação de tratores chineses cresce 117% no Brasil em 2026, aponta Anfavea
Compras públicas impulsionam a entrada de equipamentos importados no país, enquanto vendas da indústria nacional acumulam queda no ano.
26/10/2026 21:33
As importações brasileiras de tratores agrícolas produzidos na China registraram alta de 117% no acumulado de janeiro a setembro de 2026, somando 5,2 mil unidades. No mesmo período, as vendas internas de tratores no mercado nacional recuaram 14,1% até agosto, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O avanço das máquinas chinesas ocorre em meio à retratação contínua do mercado doméstico, que registra queda nas vendas acumuladas desde 2021. De janeiro a agosto, as vendas no varejo de máquinas agrícolas no Brasil somaram 27 mil unidades, montante 15,8% menor do que o volume contabilizado no mesmo intervalo do ano anterior. O segmento de colheitadeiras apresentou retração de 39,4%.
Por outro lado, as importações totais de máquinas agrícolas avançaram 42% de janeiro a setembro, alcançando 11,2 mil unidades, volume que supera o dobro do total exportado pelo país no período, que ficou em 5 mil unidades. Apenas o segmento de importação de tratores cresceu 42% na mesma comparação.
As licitações governamentais exerceram papel direto no aumento das importações do setor. Com base em dados do Portal Nacional de Contratações Públicas, a Anfavea apontou que 65% dos 3.318 tratores agrícolas licitados no país em 2025 foram importados.
No recorte geral de máquinas agrícolas e rodoviárias licitadas em 2025, que totalizou 10,6 mil unidades, os modelos de fabricação chinesa responderam por 33,5% do volume total. Dos R$ 3,7 bilhões movimentados por esses certames públicos, cerca de R$ 960 milhões foram destinados à aquisição de equipamentos oriundos da China.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, defendeu que as regras das compras públicas passem a considerar outros parâmetros além do valor inicial da proposta. "Uma máquina não termina sua relação com o comprador no momento da entrega. É um ativo que precisa operar por muitos anos, e isso depende de peças, assistência técnica, manutenção e capacidade de atendimento. Nas licitações, é importante considerar o custo total de propriedade, e não apenas o menor preço de aquisição", afirmou Calvet.
O desbalanço entre a produção nacional e o avanço dos importados é reflexo do ambiente financeiro adverso enfrentado pelo agronegócio. A menor rentabilidade do setor decorrente da queda nos preços das commodities, aliada ao alto custo do crédito e ao endividamento rural, tem desestimulado a renovação do maquinário nas propriedades.
Em setembro, a taxa básica de juros (Selic) situou-se em 13,75% ao ano. Em agosto, segundo dados do Banco Central, o índice de inadimplência no crédito rural concedido a pessoas físicas atingiu 9,7%. Em contrapartida, no setor da construção, os lançamentos imobiliários e as obras de infraestrutura mantiveram a demanda por máquinas rodoviárias, como escavadeiras, motoniveladoras e pás carregadeiras.
Paralelamente, a indústria instalada no país enfrenta o encarecimento dos custos de fabricação. A Anfavea aponta como um dos fatores o aumento nos custos de componentes plásticos, pressionados pela alíquota de 20% sobre resinas e polímeros e pela aplicação de medidas antidumping. Segundo estimativas de montadoras associadas à entidade, essas tarifas geram um impacto de até 7% no custo final dos componentes plásticos utilizados na produção das máquinas.
Por Redação Notícia10

