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Polícia - Segurança pública - 18 horas atrás

São Paulo tem crescimento alarmante do número de crianças e adolescentes mortos pela polícia

Pesquisa aponta crescimento alarmante da letalidade policial e desigualdades raciais; uso de câmeras não garante redução.

Nos dois primeiros anos do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, o número de crianças e adolescentes mortos por policiais militares em serviço aumentou 120%, segundo um levantamento divulgado nesta quinta-feira (3) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Unicef. Em 2024, foram registradas 77 mortes envolvendo jovens de 10 a 19 anos, contra 35 em 2022. O estudo revela que 1 em cada 3 jovens mortos de forma violenta no estado foi vítima da PM, com jovens negros sendo 3,7 vezes mais atingidos pela violência policial do que brancos. O aumento preocupa especialistas e reforça debates sobre políticas públicas de segurança e controle do uso da força.

A pesquisa também destaca uma mudança significativa na postura do governador Tarcísio em relação ao uso de câmeras nos uniformes dos policiais. Eleito criticando a medida, Tarcísio só reconheceu sua importância em dezembro de 2024, admitindo que estava “completamente errado”. No entanto, os dados mostram que batalhões que utilizam câmeras registraram um aumento ainda maior nas mortes (175%) em comparação com aqueles que não usam o equipamento (130%). Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, isso evidencia falhas no uso das câmeras, incluindo tentativas de burlar o sistema. Além disso, em 48% dos casos solicitados pela Defensoria Pública, as imagens sequer foram disponibilizadas, dificultando a transparência e a prestação de contas.

O aumento da letalidade policial reflete uma tendência preocupante que vai além das mortes de jovens. O número total de mortes causadas por PMs em serviço cresceu 153% em 2024 na comparação com 2022. Paralelamente, o número de policiais mortos em serviço também subiu 133%, passando de 6 em 2022 para 14 em 2024. Esses números expõem um ciclo de violência que afeta tanto a população civil quanto os agentes de segurança. Para especialistas, a falta de políticas eficazes para controlar o uso da força e mediar conflitos contribui para esse cenário, ampliando riscos para todos os envolvidos.

A pesquisa reforça a urgência de medidas estruturais para enfrentar a crise na segurança pública de São Paulo. Enquanto o governo busca ajustar sua postura sobre o uso de câmeras, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública alerta que tecnologia sozinha não resolve problemas sistêmicos. É necessário investir em treinamento adequado, fiscalização rigorosa e políticas que promovam igualdade racial e redução da violência letal. Com a possibilidade de Tarcísio se candidatar à Presidência em 2026, esses números podem ter impacto direto em sua imagem e no debate nacional sobre segurança pública.
Noticia10

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